Tendo em vista a ação destrutiva que tem se abatido sobre a juventude e sua silenciosa, sofrida e solitária reação de buscar uma força reativa à loucura destruidora da pós-modernidade — principalmente em doutrinas antigas que há muito se encontravam subterrâneas e, supostamente, derrotadas na visão dos que promoveram o completo desamparo da juventude —, que agora se encontra em uma fúria indefesa, própria dos que não sabem reagir, percebe-se que, exatamente nas horas noturnas de mudo desespero e desânimo, quando a alma vive o embate contra situações, à primeira vista impossíveis de transpor, podemos finalmente entender que o primeiro passo não se trata de tentativas de inflamar manifestações faraônicas e formar grandes movimentos de massa que carregam em si um nacionalismo vazio, típico das massas ignorantes.
“A Mocidade não se prepara nas ruas, no fragor das batalhas transitórias. Lançar os jovens nas empresas da demolição do mal, sem a iniciação prévia na ciência e na arte de construir o bem, seria desviá-los de um destino superior.”
O primeiro passo consiste no silencioso recolhimento das meditações profundas, onde se opera a reforma do homem. Em outras palavras, carregar a própria cruz. Nesse caminho tortuoso, podemos perceber que esse processo é muito mais profundo do que uma simples e efêmera revolução política, pois o homem, com sua alma imortal, é dotado de maior complexidade do que quadros administrativos. Como vivemos na criação divina, nela residem seus mistérios, onde a criação mais complexa do Altíssimo só começa a operar uma real mudança por meio de pequenos e tímidos atos de retidão, na prática de estudos sérios e de virtudes privadas, domésticas e cívicas.
“Não basta destruir o que é mau; é preciso construir o que é bom. A formação da consciência de um povo não se processa pelo incitamento das forças negativas, mas pelo cultivo e pelo estímulo de energias afirmativas.”
“Os povos, como as personalidades superiores, sabem que o mal não se destrói de outra maneira senão realizando o bem e ampliando as áreas do seu império.”
“Então, o bem triunfa sobre o mal não pela agressão, mas pela substituição.”
Não há como ser um integralista sem ser um bom cristão. Não há como ser um bom cristão sem que, dentro de si, se deflagre a revolução interior típica dos pobres de espírito e dos humildes. Estes tudo suportam e nada receiam, pois encontram conforto naquele que nos é o fim último. Já aqueles que se entregam ao domínio das paixões, que se prestam a maldosas conspirações, que mascaram seu ódio e inveja com vazios clamores de justiça; aqueles que propagam ideias que fazem os ignorantes virarem as costas a Deus; aqueles que se aproveitam da dor e da desorientação do próximo para alçar ganhos próprios; aqueles que desprezam os mais humildes, mesmo sabendo que o Senhor do Universo foi um humilde carpinteiro — estes não encontrarão conforto em parte alguma, pois maquinam o mal e, sendo escravos de seus crimes e pecados, negam a verdade. E, achando que constroem algo, na verdade destroem tudo, até a si mesmos, com as próprias mãos.
“O mal já é, ele próprio, o resultado de um longo processo de negações coletivas.”
Urge, neste momento, não a formação de grandes movimentos de massa com ações político-partidárias, mas sim um movimento de formação de espíritos capacitados para a missão — nada modesta nos dias de hoje — de serem faróis de nossa tradição no mar da loucura e da destruição que se abateu sobre o Brasil em todos os aspectos possíveis de nossa base espiritual, moral e civilizatória.
Creio que já tenha ficado claro, a esta altura, que o problema do Brasil não é político. “A ordem pública é apenas um aspecto da ordem nacional.”
Mas, tendo nosso sacerdócio conectado e firmado nas raízes que resistiram ao tempo e a todo tipo de intempérie, será possível, a partir da tradição, começar um ciclo de restauração em um fluxo de ordem espiritual e moral que trará ordem cultural; esta trará ordem sentimental e, consequentemente, ordem econômica; esta trará ordem social; depois, política, militar e, finalmente, administrativa.
Porém, tudo isso começa interiormente, na solidão de uma meditação em tempos de angústia e confusão geral.
Luã Fernandes
Colaborador da Nova Acção

